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My Dark Passenger

Me pergunto que porra eu to fazendo aqui… Quando me vejo no caminho certo, ele volta, o inimigo que me habita. Ele sussurra que tudo é pouco, medíocre, me diz que não quero. Isso. O certo. O quão difícil é pra mim querer alguma coisa só eu sei. Ele não. Ele me garante que o que quero é aquilo, lá longe. Tão longe. O mais longe possível, o máximo que eu consiga enxergar. Mas eu conheco meu passageiro obscuro, sei de cor as idéias que me coloca, elas nunca ficam velhas. Sei que chegando lá, depois de tantos oceanos, ele vai me dizer que satisfacão é comodidade e felicidade é ignorãncia. Ele vai repetir que eu sei a verdade e que a verdade é um poco infinito de tristeza, sem solucao. Vai gritar que tudo é pouco, patético de tão pouco perto daquilo, tão grande, tão verdadeiro, primordial, infinito. Aquilo que ele nunca disse nem dirá o que é.

O que ele (eu) quero pra mim é tudo aquilo que machuca, ele gosta de me ver sangrar. Se alimenta disso.

Eu só me encontro quando estou perdida, o caos vive em mim. Eu quero que dôa porque é só o que consigo sentir de verdade, é a única verdade real em minha vida. Sou tão inconstante e contraditória que nem eu acredito mais em mim. Eu deixo todos na mão, inclusive a mim mesma.

Essa minha verdade inútil é tão grande que faz tudo parecer pequeno, é tão bonita que faz todo o resto feio. Ela é arrogante, incomparável, inalcancável. Ela me custa caro.

O que ela me cobra é toda chance de bondade, felicidade, de certo em mim. Cobra meu futuro, ocupa meu presente e vive em meu passado.

A única coisa que me parece pior do que viver com ela, é viver sem ela.